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Texto extraído da tese de doutoramento de Gustavo Vrech Rigo, Modelando a atenção seletiva e a saliência visual através de redes complexas, na Universidade de São Carlos, em 2001 (pp. 23, 24 e 25).

A visão enquanto sentido, porém, é mais complexa do que um simples aparato para capturar informações (cristalino, retina, nervo ótico), pois engloba também a capacidade de interpretar cenas, que biologicamente corresponde ao processamento feito pelo cérebro. De fato, a informação visual transmitida a partir dos olhos é diferente da percepção do mundo que experimentamos com a visão. O primeiro elemento da nossa visão naturalmente são os olhos, órgão especialmente adaptado para captar a luz presente na cena e transformá-la em impulsos elétricos. A luz proveniente de um objeto é projetada pelo cristalino sobre a retina, formando a imagem observada. Esta é captada por células fotossensíveis denominadas cones e bastonetes, células estas responsáveis por converter informação proveniente dos fótons de luz em impulsos elétricos utilizados pelo cérebro para o processamento da informação.

Porém a informação transmitida pelo nervo ótico não é a mesma recebida pelos fotorreceptores, pois existe um pré-processamento da informação na retina, e ainda assim a informação transmitida pelo nervo ótico não é o resultado da visão propriamente dita. Na verdade o cérebro recebe uma série de informações que poderíamos classificar como incompletas e as interpreta de forma que experimentamos a sensação da visão. Um exemplo disso é o que ocorre na região da fóvea. A fóvea é uma depressão na retina, local onde está presente o maior número de fotorreceptores, de forma a ser a região de maior resolução da visão (8-9). A região mais periférica possui apenas um número limitado destes, fazendo que a imagem seja clara no centro de observação e perca qualidade à medida que nos afastamos.

O mesmo ocorre no cérebro, onde existe uma grande região dedicada a interpretar a informação proveniente da fóvea e uma região proporcionalmente menor para interpretar a visão periférica. Esta característica provavelmente teve uma razão evolutiva, pois seria impossível para o cérebro interpretar totalmente toda a informação recebida. Mesmo o nervo ótico seria incapaz de enviar o total de informações caso toda a retina tivesse a mesma resolução da fóvea. O cérebro, então, recebe essas informações peculiares e determina mudanças no ponto de observação, que se dá através dos movimentos sacádicos. Assim os olhos movimentam-se, e seqüencialmente focalizam sobre a fóvea outros pontos da cena. O cérebro por sua vez interpreta todas essas informações parciais e compõe a cena global, fazendo com que tenhamos a sensação de estarmos sempre observando toda a informação, e não apenas parte dela.

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