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Numa perspectiva cognitivista, o significado não deve ser pensado como um reflexo do mundo externo, mas sim, como uma forma de moldar esse mundo. Constroi o mundo de um jeito particular de forma a incorporar uma determinada perspectiva para a realidade.


Um exemplo Editar

Geeraerts (2006) nos apresenta um exemplo de uma mesma situação objetiva sendo construída linguisticamente de diferentes maneiras: trata-se da perspectiva espacial mostrada em expressões linguísticas. O autor nos convida a imaginar uma situação em que estivéssemos em pé no quintal dos fundos de casa e quiséssemos expressar onde teríamos deixado a bicicleta. Segundo o autor, poderíamos dizer:

   *A bicicleta está lá atrás (referindo-nos ao lado oposto ao local onde estaríamos)
   *A bicicleta está lá na frente (tomando como base a noção de fachada de uma construção)

Na primeira expressão, a perspectiva é determinada pelo jeito como olhamos: o objeto que está situado na direção do olhar está na frente, mas, se há um obstáculo ao longo dessa direção, a coisa passa a estar atrás do obstáculo. No exemplo, estaríamos olhando para a bicicleta do quintal dos fundos, com a casa bloqueando nossa visão, e então a bicicleta passaria a estar "atrás" da casa (obstáculo).

Na segunda expressão, no entanto, o ponto de vista é o da casa: um edifício tem uma direção canônica, com uma frente que é similar à face de uma pessoa. A forma como uma casa está posicionada é determinada por sua frente.


Mudança de sentido Editar

O sentido muda, e há uma boa razão para isso: significados moldam nosso mundo e nós lidamos com um mundo em mudança.Novas experiências e mudanças no nosso ambiente requerem que nós adaptemos nossas categorias semânticas a transformações das circunstâncias e que deixemos espaço para nuances e casos ligeiramente desviantes. Em termos de linguagem, isso significa que não podemos pensar a linguagem como uma estrutura estável e rígida - tendência da linguística do século XX.


Significado e estruturas linguísticas Editar

Se o significado está amalgamado à estrutura linguística, então somos levados a concebê-la como algo flexível. Geeraerts (2006) demonstra, através do exemplo "pássaros", que não existe um conjunto de traços que se aplique a todos os animais ou apenas a pássaros, o que temos é uma estrutura de semelhanças de família flexível, hábil para lidar com casos marginais.

O significado é enciclopédico e não-autônomo Editar

Se o significado tem relação com o jeito como interagimos com o mundo, é natural assumir que nossa corporalidade esteja envolvida. O significado que construímos na e através da linguagem não é um módulo separado e independente da mente, mas reflete nossa experiência global como seres humanos. Dessa forma, não é serapado de outras formas de conhecimento que temos do mundo, ou seja, é enciclopédico e não-autônomo, uma vez que envolve conhecimento de mundo de forma integrada com nossas outras capacidades cognitivas.


Significado, corporalidade e cultura Editar

Há pelos menos dois aspectos principais nessa ampla experiência de fundamentação do significado lingüístico: somos seres corporificados, não mentes puras. Nossa natureza orgânica influencia nossa experiência do mundo, e essa experiência se reflete na linguagem que nós usamos. Nem somos entidades biológicas exclusivamente: temos uma identidade cultural e social também, e nossa linguagem pode revelar essa identidade, isto é, a linguagem incorpora as experiências históricas e culturais dos grupos de falantes (e indivíduos).

No caso do exemplo dos pássaros, a natureza enciclopédica da linguagem implica que nós tenhamos de dar conta da familiaridade real que pessoas têm com pássaros: De acordo com Geeraerts (2006), não é simplesmente a definição geral de pássaros que conta, mas também o que nós sabemos sobre pardais, pinguins e avestruzes, mais especificamente, pois essas experiências variam de cultura para cultura: o pássaro mais familiar numa cultura vai ser diferente do de outra cultura, e isso vai afetar o conhecimento das pessoas associado com uma categoria como "passaros".


O significado linguístico é baseado no uso e na experiência Editar

A ideia de que o significado linguistico é não-autonomamente integrado com o resto das experiências é, às vezes, formulada dizendo-se que o significado é experiencialmente fundamentado - enraigado na experiência. A natureza experiencial do conhecimento linguístico pode ser especificada ainda de outra maneira, apontando para a importância do uso linguístico para o nosso conhecimento de uma lingua.

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