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Extraído e adaptado de FELTES, H. P. de M. Semântica Cognitiva e Modelos Culturais: perspectivas de pesquisa. Programa de Pós-Graduação em Letras e Cultura Regional - Mestrado, no site:http://www.ucs.br/ucs/tplPOSLetras/posgraduacao/strictosensu/letras/professores/heloisa_feltes/artigo.pdf

O que são? Editar

Modelos Cognitivos são constructos idealizados porque não precisam se ajustar de forma perfeita ao mundo. Isso acontece pelo fato de serem resultados da interação do aparato cognitivo humano (corporificado) e da realidade, por meio da experiência. O que consta num modelo cognitivo é determinado por necessidades, propósitos, valores, crenças, etc. É possível construir diferentes modelos para a compreensão de uma mesma situação e esses modelos podem ser, inclusive, contraditórios entre si. Nesse sentido, tais modelos resultam da atividade humana, cognitivo-experiencialmente determinada, resultado da capacidade de categorização humana.

De acordo com McCauley (1987), Modelos Cognitivos Idealizados (MCI) ou apenas Modelos Cognitivos são “construtos mentais simplificados que organizam vários domínios da experiência humana, tanto prática quanto teórica”(p. 292). Além disso, Tais estruturas devem ser idealizadas. Isso significa, entre outras coisas, que elas selecionam dentro de todos os traços possíveis do estímulo aqueles que são sistematicamente mais eficazes (em domínios mais puramente teóricos) ou significativos, social ou instrumentalmente (em domínios práticos). (p. 293).

Segundo o autor, a soma dos MCI “constitui a superestrutura do nosso conhecimento do mundo”. (p. 293). Entretanto, uma das características desses modelos é sua relatividade como parte do equipamento cognitivo, ou seja, “elementos estáveis de nosso sistema de categorias”.

Modelos Cognitivos devem ser entendidos como culturalmente situados, uma vez que o sistema conceptual humano e as categorias por ele geradas são, ao mesmo tempo, cognitivas e culturais. A cognição humana está inextricavelmente ligada à experiência humana corporificada. Em outras palavras, esses modelos não são constructos meramente “internos”, devendo, antes, ser tomados no sentido estrito de ‘modelos’, esquematizações coletivas.

Dessa maneira, não se diz que MCI são “internalizados” de forma determinística, mas construídos e reconstruídos de acordo com diferentes propósitos. Assim, podem ser acessados, pelo analista, apenas por inferência, nunca diretamente, sem a mediação de um processo interpretativo. Para tanto, observam-se os comportamentos verbais e não-verbais dos membros de um determinado grupo e a lógica do sistema que esses elementos implicam e, então, são construídos. Tanto os indivíduos de uma coletividade quanto os analistas da cultura precisam abstrair tais modelos.

Enquanto modelos, portanto, não contêm informação completa, não são acurados, são supersimplificados contendo apenas a informação que é relevante ou significativa para algum propósito, a que é recorrente e, também, a que é logicamente acarretada. Ou seja, é uma construção governada por propósitos de uma situação concreta. Alternam-se de acordo com as situações, e tendo origem social, estão ligados a padrões de interação e comunicação. Por isso, com freqüência, estão codificados lingüisticamente (KRONENFELD, 2000), o que faz do material lingüístico, a partir de pesquisa etnográfica ou histórica, uma fonte de pesquisa inesgotável, seja em pesquisa quantitativa como em qualitativa.


Referências Editar

KRONENFELD, David B. Cultural models: collective knowledge and individual representations. 2000. Texto preparado para a sessão sobre “Cultural Models and Schema Theory: Present Issues and Future Developments”, da Society for Psychological Anthropology, ocorrida em 19 de novembro de 2000, na American Anthropological Association Annual Meetings, San Francisco, CA. Disponível em: http://real.anthropology.ac.uk/AAA2000SF/Kronenfeld.html.

McCAULEY, R. The role of theories in a theory of concepts. In: NEISSER, Ulric (ed.) Concepts and conceptual development: ecological and intellectual factors in categorization. New York: Cambridge University Press, 1987. p. 288-308.

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